
No campo religioso, podemos observar que quando
entramos em contato com obras escritas de revelações dos profetas do passado e
do presente, e por tratar-se de revelações divinas, nos sentimos de alguma
forma entusiasmados pelos novos conhecimentos. Dependendo desse entusiasmo
passamos a fazer um estudo aprofundado dos escritos. Nesse aprofundamento surge,
em paralelo aos novos conceitos, e dependendo do grau de estudo, uma tendência de
cristalização das novas ideias adquiridas.
Os sacerdotes da época de Jesus dedicavam-se
a leitura das sagradas escrituras nas
sinagogas desde a época de Abraão. Quando Jesus começou a pregar a “Boa Nova” (o
seu evangelho), os “doutores da lei” condenaram-no por ele falar uma linguagem
diferente em termos doutrinário.
Allan Kardec pesquisou os fenômenos mediúnicos
e codificou o espiritismo e sempre foi combatido por abordar o evangelho
segundo a visão dos espíritos.
Algumas pessoas que estudaram tanto Allan
Kardec e se autodenominaram defensores da pureza doutrinaria, no início,
combateram as psicografias de Chico Xavier; que trazia as revelações novas.
Também, as obras psicografadas por Hercílio Maes com as mensagens de Ramatís
foram muito combatidas por alguns que se diziam kardecistas.
Na atualidade, na pregação dos “salvadores”
que usam a Bíblia como instrumento doutrinário há um incentivo de crermos somente
nela; com a argumentação de que a Bíblia é a “palavra de Deus” e fora da crença
nela não há salvação; por isso devemos crer nela cegamente sem admitir outras
revelações porque é “coisa do diabo”. As pessoas mais simples e sem estudos são
as que mais são influenciadas e passam a crer na Bíblia com o temor de não
contrariar a pregação dos orientadores.
Os fatos são claros; há nas posturas dos
pregadores e crentes duas coisas: ignorância e medo. Há ignorância (falta de
conhecimento) porque influenciados pelos seus antecessores escolheram somente estudar
a Bíblia. O medo é um condicionamento imposto de temer questionar ou estudar
outras fontes de revelações acreditando-se estar traindo Deus; ou estar
associando-se ao diabo.
O que causa a afirmação? – “Você deve crer
somente na Bíblia porque ela é a palavra de Deus, se você ler outros livros,
principalmente os espíritas, estará lendo coisa do diabo”. Percebe-se que isso
é um enfeitiçamento mental através da palavra e que causa nas pessoas mais
fracas uma dependência de crença de terror. Há uma crença não pela compreensão,
e sim pelo temor de agir-se diferente.
Quando há igrejas estruturadas com o
objetivo de aumentar o número de “fiéis” e não o número de “crentes” existe o
temor de ver-se diminuído o número de seus membros, por causa do estudo de
revelações fora da Bíblia.
Todos os cristãos que estudam a Bíblia com
seriedade devem perceber que esse grande documento religioso contém revelações
históricas e revelações de conduta moral; por isso, não podemos afirmar que
tudo que está escrito na Bíblia é a palavra de Deus. Há a narrativa de reinados
e costumes da época; e sem dúvida, o mais perfeito código moral que há na
Bíblia é o Evangelho de Jesus através das narrativas dos evangelistas e dos
apóstolos.
Aqueles que estudam seriamente o Evangelho
de Jesus percebe que ele é um instrumento de libertação e não de
aprisionamento.
Outra coisa que temos que perceber é que
as revelações vieram em épocas diferentes e de acordo com a compreensão da
humanidade de cada época. Elas não cessaram de vir, tem vindo constantemente e sempre
de acordo com a compreensão cultural de cada época.
Os crentes e estudiosos da Bíblia devem
levar em conta também as traduções que quando comparadas entre si apresentam
diferenças e dão margem a interpretações diferentes.
Os escritos da “Terceira Revelação”, na
atualidade, que são as obras mediúnicas, não negam e nem contrariam os escritos
da Bíblia; ao contrário, complementam e dão maior profundidade de compreensão a
respeito dos assuntos sobre Deus e a Alma.
Em seguida, vamos acompanhar, de mente
aberta, e respeitando cada irmão que segue uma doutrina diferente da nossa, as
elucidações e reflexões do estudioso religioso Professor Severino Celestino.
Quando
alguém perguntar qual é a sua religião? Deverias responder – o meu grupo de
trabalho é...tal; porque isso é que é a grande verdade; somos “Grupos de trabalho”
trabalhando com ferramentas diferentes mas com o mesmo objetivo – despertar o “Eu
Divino” que há dentro de cada um de nós.
Lau
Acompanhe outros temas com o Professor Severino Celestino no link:
http://www.redemundomaior.com.br/abrindoabiblia/index.php
RESSURREIÇÃO E REENCARNAÇÃO
3. (Após a
transfiguração). Seus discípulos o
interrogaram, dizendo: Por que, pois, os escribas dizem que é preciso que
Elias venha antes? Mas Jesus lhes respondeu: É verdade que Elias deve vir e
restabelecer todas as coisas; mas
eu vos declaro que Elias já veio, e não o conheceram, mas o trataram
como lhes aprouve. É assim que eles farão sofrer o Filho do Homem. Então seus discípulos compreenderam
que era de João Batista que lhes havia falado. (São Mateus, cap.
XVII, v. de 10 a 13; São Marcos, cap. IX, v. 11, 12, e 13)
4. A reencarnação fazia parte dos dogmas judaicos sob o nome
de ressurreição; só os Saduceus,
que pensavam que tudo acabava com a
morte, não acreditavam nela. As
ideias dos Judeus sobre esse ponto, como sobre muitos outros, não estavam claramente definidas, porque
não tinham senão noções vagas e incompletas
sobre a alma e sua ligação com o corpo. Eles acreditavam que um homem que viveu
podia reviver, sem se inteirarem com precisão da maneira pela qual o
fato podia ocorrer; designavam pela palavra ressurreição o que o Espiritismo, mais judiciosamente,
chama reencarnação. Com
efeito, a ressurreição supõe o
retorno à vida do corpo que morreu, o que a Ciência demonstra ser materialmente impossível, sobretudo
quando os elementos desse corpo estão, desde há muito, dispersos e
absorvidos. A reencarnação é o
retorno da alma, ou Espírito, à
vida corporal, mas em um outro corpo novamente formado para ela, e
que nada tem de comum com o antigo. A
palavra ressurreição poderia, assim, se aplicar a Lázaro, mas não a Elias nem
aos outros profetas. Se, pois, segundo sua crença, João Batista era Elias, o corpo de João não podia ser o de
Elias, uma vez que se tinha visto João criança, e se conheciam seu
pai e sua mãe. João podia, pois, ser Elias
reencarnado, mas não ressuscitado.
O Evangelho Segundo o Espiritismo –
Allan Kardec
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