Curitiba (PR), dezembro de 1964.
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Ramatís |
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PERGUNTA:- Reza
a tradição bíblica que um anjo visitou Maria e anunciou-lhe que ela casaria
com um homem da linhagem de Davi; e conceberia um filho varão destinado a
salvar o mundo. Que dizeis sobre essa tradição religiosa?
RAMATÍS:- Maria contava 15 anos de idade quando
seus pais, Joaquim e Ana, faleceram, com alguns meses de diferença
entre os óbitos. Foi então acolhida por Simão e Eleazar, parentes de seu pai,
que a encaminharam para o grupo das
Virgens de Sião, no templo de Jerusalém. Ali permaneceu cerca de dois anos, onde se dedicava a
trabalhos tais como a confecção de túnicas de seda para as moças, mantos para
os sacerdotes, ornamentos, enxovais e pequenos tapetes de veludo e de lã para
as cerimonias religiosas. Além disso, tocava
cítara e cantava os salmos de Davi, em coro com as demais jovens.
Era uma jovem de raríssima beleza e avançada sensibilidade psíquica na
época. Espírito dócil, todo ternura e benevolência, fortaleceu a sua juventude no ambiente
monástico do templo, sem rebeldia ou problemas emotivos, no qual ainda mais
aprimorou o seu alto dom mediúnico. Desde menina
tinha visões espirituais, reconhecendo velhos parentes desencarnados e
depois os seus próprios pais, que lhe apareciam de modo
surpreendente. Em sonhos eles
diziam-lhe que ela ainda seria rainha do mundo, como a mediadora consagrada para um elevado anjo em
missão junto aos homens.
Em sua consciência física, Maria desconhecia que também era
entidade de condição angélica; e quando
identificava pela sua vidência, uma belíssima criatura, ela supunha
tratar-se do “anjo de guarda”, porque ele se assemelhava, fisionomicamente,
às velhas oleografias dos anjos da tradição hebraica. Não conseguia explicar satisfatoriamente aos seus familiares e
amigos os fenômenos incomuns que se davam consigo, mas afirmava
sempre que o seu anjo de guarda não
só a visitava em sonhos, mas também em estado de vigília ministrando-lhe conselhos e
orientações para o futuro.
Quando José, viúvo, embora mais velho e pai de cinco filhos, a pediu para
esposa, ela aceitou-o imediatamente, sem mesmo refletir, explicando que há
muito tempo o seu anjo tutelar lhe havia aconselhado tal esponsalício com um
homem bem mais idoso e viúvo. É óbvio
que se tratava de visões reais, conforme a fenomenologia espírita hoje as
explica satisfatoriamente mediante as faculdades mediúnicas.
Embora Maria ignorasse a que estranhos
caminhos o destino a levaria, as entidades que lhe assistiam aconselhavam-na
a aceitar o viúvo José, como esposo e companheiro, pois havia sido escolhido
no Espaço para a elevada missão de pai do Messias, na Terra. A tarefa desses espíritos não era
isenta de decepções e obstáculos, porquanto enfrentavam a mais acirrada e furiosa investida das
Sombras, na tentativa de impedir o advento de Jesus na face do orbe
terráqueo. José e Maria, além de suas próprias virtudes espirituais
defensivas, gozavam do prestígio e apoio de algumas falanges de menor
graduação espiritual, porém, vigorosas e decididas, que também se propuseram
a cooperar na proteção do Salvador dos homens! E então, saneavam as imediações de Belém, desintegrando fluidos mórbidos e
eliminando cargas magnéticas maléficas, a fim de proteger o
nascimento de Jesus sob circunstâncias satisfatórias.
Depois de casada, certa vez, achando-se
em profundo recolhimento, sob o doce enlevo de uma prece, Maria, dominada por
estranha força espiritual, sentiu-se fora do organismo
carnal e situada num ambiente de luzes azuis e róseas, rendilhadas por
uma encantadora refulgência de raios safirinos e reflexos opalinos; e
então, com grande júbilo, ela
reconheceu, de súbito, o seu
devotado anjo de guarda, que a felicitou, dizendo que o Senhor a escolhera para ser mãe de iluminado Espírito, o qual aceitara o sacrifício da vida humana para redimir os
pecados dos homens! Envolvida por um halo de perfumes, misto
da doçura do lírio e da fragrância do jasmim, sentindo-se balsamizada por
suave magnetismo, viu seu guia
apontar-lhe alguém, a seu lado, dizendo-lhe que se tratava do Espírito do seu
futuro filho. Maria vibrou de júbilo e quis postar-se de joelhos,
quando percebeu a sublime entidade
recortada num halo de luz esmeraldina, claríssima, cuja aura se franjava de
tons róseos e safirinos respingados de prata, a sorrir-lhe docemente.
Então a entidade que seria Jesus, o Enviado do Cristo à
Terra, chamou-a sob inconfundível
ternura e pelo seu “nome
sideral”, recordando a Maria o compromisso de fidelidade espiritual
assumido antes de ela encarnar-se. No recesso de sua alma, ela evocou
o passado, sentindo-se ligada ao magnífico Espírito ali presente, e clareou-se-lhe
a mente ante a promessa que também fizera de recebê-lo no seu seio como filho
carnal.
O
maravilhoso contato espiritual com Jesus fez Maria reavivar todas as
recordações do pretérito e recrudescer-lhe a saudade do seu mundo paradisíaco.
Enquanto uma sombra de angústia lhe invadia a alma, ao assumir novamente o
comando do corpo carnal, ela sentiu prolongar-se na sua consciência física
aquele êxtase de Paz e Amor, que a envolvera ante a presença do ente sublime
e amoroso a encarnar-se como o seu primeiro filho! Embora sem poder definir
claramente o acontecimento tão singular, Maria narrou a José o impressionante
quadro que lhe despertara a mais sublime emoção espiritual, e a certeza de
vir a ser mãe de um formoso anjo descido dos céus! José, homem de senso
prático e prudente, avesso a sonhos e a fantasias improváveis em sua vida tão
pobre, fitou a jovem esposa e apenas sorriu, certo de que todas as mães só
esperam príncipes, como filhos, e não homens comuns.
“O
Sublime Peregrino” – Ramatís – psicografado por Hercílio Maes.
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