Após estudarmos, no nível 1, as
funções básicas dos 7 corpos de expressão da nossa consciência espiritual,
já podemos afirmar: “Eu
não sou o corpo físico” – Isto porque, já temos consciência de que o
nosso corpo físico biológico é um complexo orgânico de expressão, nesta terceira
dimensão do universo, juntamente com nosso corpo etérico (corpo
vital). Eles são
impermanentes, temporários, mas adequados e importantes ao
processo de expansão da nossa consciência.
Já estamos entendendo que somos uma consciência espiritual manifestada em corpos dimensionais, e quando estamos desencarnados, na dimensão astral, nosso corpo de expressão mais denso é o corpo astral. Mesmo este, após inúmeras reencarnações, quando atingirmos um certo grau de elevação espiritual, deixaremos ele e passaremos a viver manifestados no corpo mental.
CICLO REENCARNATÓRIO
Em determinado momento cósmico, fomos
trazidos para o planeta Terra, que é um planeta de expiação e prova, e por
necessidade de aprendizado, tivemos que iniciar o processo de nascimento no corpo físico,
na densidade da terceira dimensão.
Mas será que não poderíamos ficar
vivendo somente manifestado no corpo astral, na dimensão astral? Não,
porque a característica do magnetismo do planeta Terra, pela composição de
seu núcleo, exerce
uma força de atração das células do corpo astral, conforme o seu grau de
densidade, causando uma desfragmentação ou deformação; a consciência espiritual vai perdendo
a forma de seu corpo Astral. Por isso, em determinado momento, a nossa consciência
espiritual, pela força de atração magnética do planeta, foi atraída para um útero da
raça que que estava sendo desenvolvida no planeta; com exceção de alguns
seres que, devido às suas habilidades psíquicas, conseguiram “evitar” o
processo reencarnatório.
Outro objetivo da reencarnação é a do “esquecimento”. A consciência espiritual, ao mergulhar no
corpo físico, pela limitação do cérebro físico, fica no esquecimento
de suas vidas anteriores, trazendo somente reflexos do inconsciente
que mostram suas tendências, que precisam ser trabalhadas.
No corpo físico, o aprendizado é o de exercer o domínio do instinto animal, do egoísmo e aprender a viver em harmonia com a obra do Criador, que se expressa em toda a natureza, com seus seres vivos e, principalmente, com outras consciências espirituais, que têm as mesmas necessidades evolutivas que nós.
Fluídos da Dimensão AstralDIMENSÃO ASTRAL
A dimensão astral, na qual estamos
manifestados agora em corpo astral, possui níveis vibratórios
de energia que vão desde os mais sutis, radiantes, até os mais
densos. Um espírito que vive numa dimensão superior, menos densa, de frequência mais
elevada, pode, através de sua vontade, concentração e
força mental, agregar em seu “corpo astral” fluídos
mais grosseiros e “descer vibratoriamente” para interagir numa região mais
densa, e prestar auxílio
às outras consciências espirituais necessitadas. Após o trabalho ele
retorna à sua dimensão original, sutilizando energeticamente o seu corpo astral.
Nesse caso, ele foi em tarefa de auxílio, o que está em
conformidade com a “Lei da Harmonia Geral Divina” – pois Deus quer o bem de
todos.
Agora vejamos quando uma consciência espiritual,
com seu livre arbítrio, através do seu corpo mental, dá vazão ao
seu desejo de poder
e de domínio, causando desarmonia, gerando destruição e sofrimento,
contrariando assim, a “Lei da Harmonia Geral Divina”. Neste caso, ele
vai agregar em si as energias das formas pensamentos, dos sentimentos de
ódio, raiva, medo, culpa, remorso etc., que são a transformação
do fluído universal em energias densas, pela força da mente; seu corpo astral se manterá denso
até que mude o padrão vibratório mental, através de uma postura ética
moral em conformidade com a lei da harmonia divina. Os registros dos atos
praticados permanecerão no seu campo mental.
Vejamos o que nos diz o espírito Joseph
Gleber no livro “Além da Matéria” – psicografado por Robson Pinheiro:
(...) O grau de densidade do psicossoma tem relação direta com o estágio evolutivo da consciência, ou seja, quanto mais o espírito for evoluído, mais diáfano, transparente e sutil é o seu psicossoma. Quanto mais materializado ou próximo da matéria estiver, mesmo que em serviço elevado, mais denso ele deve se mostrar, em razão mesma da proximidade com as energias da dimensão material. (...)
LEI DE CAUSA E EFEITO
A Suprema Consciência, Deus, criou
leis que regem todo o universo; a Sua “Lei da Harmonia”
estabelece um equilíbrio entre toda a criação, a qual caminha
para um propósito divino definido. Quando a consciência espiritual, em
qualquer dimensão em que se encontra, através do seu corpo mental, e de
seu livre arbítrio, realiza uma ação que vai contra a “harmonia
do conjunto”, um mecanismo ou sistema é acionado para o seu retorno à
harmonia divina; podemos entender isso como: Lei de “Ação e Reação” ou “Causa
e Efeito”.
A seguir vamos estudar como funciona essa lei, tanto no sentido de “causa e efeito”, no aspecto ético moral, como também em nível de densidade energética.
O espírito André Luíz, no livro “Ação e
Reação”, psicografado por Francisco Cândido Xavier, narra sobre sua visita ao
posto de socorro
Mansão Paz, que fora fundado há mais de 300 anos e
está ligado a jurisdição da colônia espiritual “Nosso Lar”. O posto de socorro,
com várias casas, semelhante a uma cidadela, está situado nas regiões
inferiores da dimensão astral. Ele possui recursos de segurança e
defesa e mantem setores de assistência e cursos de instrução,
nos quais médicos, sacerdotes, enfermeiros e professores encontram, depois da
morte do corpo físico, trabalho e aprendizado. André Luíz e seus companheiros
pretendiam fazer, naquele local, observações referentes à lei de causa e efeito.
O diretor do posto de socorro, Druso, estava
ali há cinquenta anos; ele fora recolhido como enfermo
grave, após o desligamento do corpo físico, e depois de ser tratado resolveu
trabalhar servindo como padioleiro, cooperador da limpeza, enfermeiro,
professor, magnetizador e depois foi convidado a ser orientador da
instituição.
Vamos estudar alguns casos descrito por André Luiz:
CASO 1: Antônio Olímpio – Disputa de Herança. ²
André Luís narra que um espírito enfermo fora recolhido
e instalado no gabinete de socorro magnético. Ele apresentava hipertrofia
com braços e pernas enormes, sendo que a parte do corpo astral
mais desagradável era o rosto e a cabeça.
Era uma pobre criatura que tinha deixado o círculo carnal por tão terrível obsessão, que não teve condições de ser socorrido pelas legiões que operam no túmulo; permanecendo, assim, sob absoluta subjugação mental de seus adversários.
Deformação no corpo
astral
Druso, o
responsável pelo posto de socorro Mansão da Paz, explicou para André Luiz sobre
a situação daquele espírito recolhido:
(...) - O aspecto
monstruoso resulta dos desequilíbrios
dominantes na mente que, viciada por certas impressões ou
torturada pelo sofrimento, perde temporariamente o controle da forma, permitindo que
os delicados tecidos do corpo astral se perturbem.
- Em tal situação, a alma pode cair sob o cativeiro de
inteligências perversas e daí ocorrem transitória animalização por efeito
hipnótico.
- O socorrido estava sob terrível hipnose induzida por adversários temíveis que, para torturá-lo, fixaram-lhe a mente em alguma penosa recordação. (...)
Motivo da Enfermidade no corpo Mental e Astral e do sofrimento
No posto de socorro, o enfermo após
ser submetido a um tratamento magnético, feito pelo socorrista, conseguiu
se expressar através da fala e, sem ter lucidez plena de sua situação,
pensando estar diante de um juiz, começou a narrar o que lhe torturava:
(...) - Socorro! Socorro!... Sou
culpado, culpado!... Não posso mais... Perdão! Perdão!
- Senhor juiz, senhor
juiz!... Até que enfim, posso falar! Deixem-me falar!...
- Diga, diga o
que deseja.
- Sou Antônio Olímpio... o criminoso!... Contarei tudo. Em verdade, pequei, pequei... por isso é justo... que eu sofra no inferno... O fogo tortura minha alma sem consumi-la... É o remorso, bem sei... Se eu soubesse, não teria... cometido a falta..., entretanto, não pude resistir à ambição... (...)
Ele morava numa grande fazenda e tinha dois
irmãos mais novos... Clarindo e Leonel. Com a morte de seu pai,
iniciou-se o processo de inventário. Ele pretendia transformar a fazenda em
larga fonte de renda. Mas a partilha com os irmãos atrapalhava o seu
projeto, porque seus irmãos tinham ideias diferentes da
dele. Então, ele
começou a elaborar um plano para aniquilar seus irmãos e ficar sozinho com a
propriedade.
Quando o inventário estava prestes a ser
resolvido, ele convidou os dois irmãos a passearem de barco num grande
lago da fazenda. Antes, ele tinha preparado um licor entorpecente,
e quando estavam numa parte mais funda do lago, vendo os dois irmãos sob o
efeito do licor, mostrando-se cansados, num gesto intencional ele virou o
barco, caindo os três na água. Antônio nadou até a margem, mas seus
dois irmãos, estando sem condições físicas, devido ao efeito do entorpecente, morreram
afogados. Ele chamou por auxílio e narrou um imaginário acidente;
o qual foi aceito como causa da morte dos irmãos.
Assim, ele apossou-se da fazenda
inteira casando-se depois com Alzira, e tiveram um filho de nome Luiz,
que se tornaria seu herdeiro.
Ficou muito rico, com prestígio na
sociedade e no meio político. De vez em quando ele recordava de seu crime,
mas em companhia da esposa procurou, com passeios e distrações, tentar esquecer o ato criminoso
que lhe pesava na consciência.
(Como podemos perceber o ato praticado ficou gravado no seu corpo mental, ativo, vivo; apesar do esquecimento temporário com a limitação do cérebro físico)
Após 6 anos do crime premeditado, ele perdeu a sua esposa que ficou
doente durante muitas semanas com forte febre, desenvolvendo
um estado de loucura. Numa noite, em estado de perturbação mental, ela foi
para o lago e se afogou. Antônio chegou a pensar se o ocorrido tinha
sido obra dos fantasmas dos irmãos, mas não querendo pensar sobre essas coisas,
procurou viver aproveitando a sua fortuna.
(Na época, Antônio Olímpio não sabia, mas a perturbação mental da esposa já era um processo obsessivo feito pelos irmãos revoltados)
Após trinta anos, do ato criminoso, quando desencarnou, seus irmãos, já no túmulo, se fizeram visíveis a ele e se transformaram em vingadores. Depois de lhe recordarem o crime, de lhe torturarem sem compaixão, levaram-no a uma gruta tenebrosa; e lá ele permaneceu torturado com as recordações, a culpa e o remorso. Nesse processo de tortura, ele ficou durante mais ou menos 20 anos.
Quando Antônio Olímpio foi recolhido no posto de socorro iniciou-se um processo de tratamento magnético mental/astral, e um planejamento de ajuda aos seus irmãos, que guardavam um forte sentimento de vingança. Eles permaneciam na fazenda obsidiando o filho de Antônio, Luís.
Resolução do caso
Narra André Luís que, no posto de socorro,
duas vezes por semana, num local próprio, vindo de esferas de frequências mais
altas, materializavam-se orientadores que
supervisionavam a instituição.
Reunidos ali, após uma oração, através de dispositivo especial
como câmara cristalina, materializou-se o Ministro Sânzio
que exercia a função de Ministro da Regeneração na Colônia espiritual Nosso
Lar.
Foi apresentado ao Ministro 22 fichas com
informações necessárias das entidades internadas na instituição, sendo uma delas
a de Antônio Olímpio.
O ministro concordava com o socorro imediato aos irmão infeliz, e
breve reencarnação dele no ambiente em que tinha feito o mal, a fim
de restituir aos irmãos a propriedade da qual tinham sidos expulsos.
Antônio Olímpio não desfrutava de
qualquer atenuante a seu favor, pois conservou no mundo o dinheiro e o tempo para seu
próprio benefício. Não trouxe gratidão de outras pessoas
que funcionasse a seu favor. Angariou apenas simpatia no mundo familiar.
O ministro recordou que a esposa e o seu filho eram devedores de enorme carinho. Esses dois corações surgiam, ali, segundo a Lei, como valores benéficos para o delinquente, porque todo bem realizado, com quem for e seja onde for, constitui recurso vivo atuando em favor de quem o pratica
Então, o Ministro Sânzio informou que convidaria
Alzira para que ela se manifestasse em relação às medidas tomadas para o
auxílio dos envolvidos naquela trama.
O Ministro fez uma prece silenciosa e, da
Câmara cristalina, surgiu Alzira; ela se oferecia de boa vontade para
auxiliar no trabalho de reajuste de seu ex-companheiro.
Ela estava ciente de que os irmãos vitimados alimentavam enorme
ódio e perseguiam Antônio Olímpio, sem tréguas. Quando ele foi
levado para os vales de sofrimento, os irmãos nunca permitiram que ela o
ajudasse. Também, não deixaram ela se aproximar para ajudar o seu filho Luiz, que sofria uma
obsessão.
Alzira amparada por amigos de certa colônia
socorrista, fazia de tudo para ajudar o filho Luís, mas este, muito apegado ao dinheiro deixou-se
envolver por um processo obsessivo. Seus tios, Clarindo e Leonel,
não satisfeitos em perturbar a mente de Luís, conduziram para a fazenda espíritos tiranos, apegados
à riqueza terrestre, para estimular ainda mais a sua avareza.
O objetivo, além da vingança, era incentivar Luís a ficar apegado ao dinheiro e
preservar a fortuna que eles achavam que pertencia a eles.
O ministro informou que a recuperação
de Antônio, para a reencarnação, exigiria muito tempo. Os irmãos
que foram vítimas, transformados em vingadores, moravam na propriedade que foi tomada deles, pelo irmão. Era necessário que Alzira fosse em pessoa
suplicar-lhes melhores disposições mentais, para que eles pudessem
receber amparo da instituição e o
preparo para o futuro nascimento no corpo físico.
Alzira, também sabia que, por seus débitos
do passado, tinha sido obsediada pelos irmãos de Antônio, e tinha perdido a
vida no mesmo lago do crime.
(Alzira por ter perdoado os cunhados, pelos seus méritos, e estar trabalhando para ajudar todos os envolvidos, estava numa esfera superior na dimensão astral. Ela estava em condições de ajudar todos os envolvidos.)
André Luiz, narra que após as preparações iniciais para a aproximação de Alzira junto a Clarindo e Leonel, ela ajudaria Antônio Olímpio no renascimento no lar do próprio filho, como filho de Luiz. E, logo após, ela também reencarnaria com o objetivo de casar-se novamente com Antônio. Assim, depois, receberiam os irmãos vitimados, Clarindo e Leonel, como filhos do coração. Dessa forma Antônio Olímpio restituiria a vida e os bens para os dois, e com o amor paternal repararia o ato infeliz criminoso do passado
Conclusão
Esse caso que André Luiz nos apresenta
demonstra como funciona a “Lei de Causa e Efeito”, quando através do nosso corpo mental criamos
uma ideia e damos intensidade a ela formamos uma “forma pensamento”.
Com ela vamos ter um sentimento ou emoção que, através do
nosso corpo astral, atraímos da dimensão astral fluidos ou elementos transmutados em
forma de energia densa ou sutil. Como o corpo astral possui a característica
de plasticidade, ele vai tomar o formato correspondente a ação mental e
emocional praticada.
No caso acima apresentado, observamos que o
ato criminoso praticado pelo espírito provocou um desequilíbrio mental, ficando
assim, preso e torturado
pelas recordações, através do sentimento de culpa, remorso
e arrependimento, intensificado pelo processo hipnótico de suas vítimas,
causando a deformação do seu corpo astral.
Esse fenômeno ocorre tanto em quem praticou
a ação, como também em quem recebeu a ação. As vítimas alimentam o sentimento de ódio e desejo de
vingança, quando não possuem condições espirituais elevadas para
perdoar o mal que receberam. Por sintonia vibratória, os seus corpos astrais
são atraídos para regiões densas da dimensão astral.
Após serem resgatados, a “Justiça e Misericórdia Divina” dá uma nova oportunidade para que os espíritos corrijam suas ações que foram contrárias à “Lei da Harmonia Geral”. Assim, os espíritos, através da convivência fraterna, vão arquivar em seus corpos mentais e astrais novas ações que não geram sofrimento e desequilíbrios. Como tudo fica registrado no corpo mental da consciência espiritual, é interessante que haja maior quantidade de registros de ações que causam sentimentos de alegria, gratidão e felicidade; em harmonia com as Leis Divinas que regem tudo no Universo.
Na próxima reflexão vamos estudar novos
casos...
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Bibliografia:
“A Gênese” – por Allan Kardec; {tradução de Guillon Ribeiro da
5ª edição francesa], - 53 ed. 1.imp. – Brasília: FEB 2013.
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"Ação e Reação" / pelo Espírito André Luiz; [psicografado por] Francisco Cândido Xavier. - 30. ed. -15. imp. - Brasília: FEB, 2003.
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"Além da Matéria - pelo espírito Joseph Gleber; [psicografado por] Robson Pinheiro. - Contagem: Casa dos Espíritos, 2003.
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* Imagem do livro: Mão de Luz - Barbara Ann Brenan
² “Ação e Reação” – cap. 3, pag. 39; cap. 8, pag.103; cap. 9, pg.121