Paris, 18 de abril de 1857.
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Allan Kardec |
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166. A alma
que atingiu a perfeição durante a vida corpórea, como acaba de depurar-se?
-
Submetendo-se à prova de uma nova existência.
166-a. Como
ela realiza essa nova existência? Pela sua transformação como Espírito?
- ao se
depurar, a alma sofre sem dúvida uma transformação, mas para isso necessita
da prova da vida corpórea.
166-b. a
alma tem muitas existências corpóreas?
- Sim,
todos nós temos muitas existências. Os que dizem o contrário querem
manter-vos na ignorância em que eles mesmos se encontram; esse é o seu
desejo.
166-c.
Parece resultar, desse principio, que após ter deixado o corpo a alma toma
outro. Dito de outra maneira, que ela se reencarna em novo corpo. É assim que
se deve entender?
- É
evidente.
167. Qual é
a finalidade da reencarnação?
- Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade.
Sem isso, onde estaria a justiça?
168. O
número das existência corpóreas é limitado ou o Espírito se reencarna
perpetuamente?
- A cada
nova existência o Espírito dá um passo na senda do progresso; quando se despojou de todas as impurezas, não precisa
mais das provas da vida corpórea.
169. O
número das encarnações é o mesmo para todos os Espíritos em geral?
-Não.
Aquele que avança rapidamente se poupa das provas. Não obstante, as
encarnações sucessivas são sempre muito numerosas porque o progresso é quase
infinito.
170. Em que
se transforma o Espírito depois de sua última encarnação?
- Espírito bem-aventurado; um Espírito puro.
O
Livro dos Espíritos - Allan Kardec
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São Paulo, 28 de setembro de 1987.
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O Ser Espiritual, com seus veículos de expressão já constituídos, está apto
para o início da jornada no mundo das formas, através do nascimento. Antecedendo o nascimento, vejamos
os processos pelos quais passa o Ser Espiritual que recebeu o passe do
encarne. Haveremos de entender que nenhum
caso é igual ao outro. Existem
semelhanças, mas igualdades nunca, nem mesmo nos gêmeos idênticos.
Com isso, afirmamos que não tem um paradigma do fenômeno do nascimento, como
para a morte também não. Não há bom
ou mau nascimento, nem boa o má morte; existem simplesmente o nascer
e o morrer, os quais obedecem a elevados planos
de justiça da Lei Divina.
(...) Tenhamos em mente que o nível consciencial dos diversos
Seres Espirituais encarnados é polivariável, e isso explica-se pelo
fato de que nem todos os Seres Espirituais vieram de um mesmo locus Kármico
(outros planetas, galáxias, etc.). Mesmo aqueles que desceram do Reino
Virginal, não vieram na mesma época,
podendo alguns, até, ter encarnado milhares de anos antes. É claro, pois, que
tenham maiores facilidades, de aprendizado, como tenham também conquistado
maiores riquezas espirituais, tais como sentimentos elevados e apurada
sensibilidade de ordem astral-espirítica.
(...) Claro está que aquele que tem
maiores facilidades seguramente, em uma ou várias encarnações, já esteve
ligado ao que atualmente estuda, ou, em verdade, hoje apenas revê. Não
estamos com isso tendo uma visão conformista; achamos que , se não temos as
facilidades de que outros usufruem, é porque, além de começarem antes, se auto-esforçaram e conquistaram-nas.
Por isso, devemos respeitá-los e jamais invejá-los, embora devamos seguir
seus exemplos. O importante é que comecemos, que a hora seja agora, o melhor
momento é este, pois se deixarmos o momento passar, sabe Deus quando teremos
novas oportunidades?!
Esperamos deixar bem claro daqui para frente que reencarnação é sinônimo de
evolução. Não venhamos confundir a reencarnação, que é o Espírito ou Ser Espiritual retornar
após a morte em um corpo físico novo e diferente do precedente, para seguir
avante em seu processo evolutivo, com
a ressurreição, que pretende ser ou fazer um corpo inerte, com todas
as suas células já mortas, algumas até decompostas, voltar à vida, o que
qualquer Filho de Fé que se diga umbandista sabe ser incoerente e não lógico.
Após essa ligeira elucidação, o Caboclo que
ora conversa com você, Filho de Fé,
entende que muitos e muitos Seres Espirituais que se internaram na
reencarnação, através dos ditamos superiores da Lei, nem sempre fazem dela a escola, o hospital, o remédio ou mesmo a
sala de estudos ou oficina de trabalho que ela deveria ser. Aí está o
motivo das decepções, das angústias, dos dramas internos, culminando nos
deslizes e retorno aos velhos hábitos e erros do passado. Certo está o axioma
de que ninguém regride na senda
evolutiva, mas seus
veículos de expressão sofrem, como ação contundente em seus tecidos, todos os
demandos cometidos, alterando-lhes
a constituição e desestruturando a forma de núcleos importantes no corpo
astral, os quais só
voltarão à normalidade após o Ser Espiritual reinternar-se
nas correntes da reencarnação.
Antes de reencarnar, pois esse é, em
última análise, o caminho evolutivo para o Ser que faliu ou delinquiu, necessitará ele estagiar algum tempo
nas regiões ou zonas do Astral que lhe sejam afins, e com o auxílio e apelo de seus
superiores ou responsáveis pelo seu reencarne, estruturar detalhadamente a futura
reencarnação. Serão rigorosamente observados os fatores morais que
fizeram o Ser Espiritual falir em sucessivas reencarnações, incorrendo nos
mesmos erros. Será observado, além do karma individual do Ser Espiritual, o
seu karma grupal. Às vezes, para que uma reencarnação possa ter as maiores
possibilidades de sucesso (sim, pois mesmo com tudo ajustado, o Espírito,
fazendo uso de seu livre-arbítrio relativo, pode vir a falhar), são observadas não somente a última e
a penúltima reencarnação, mas sim várias, além dos Seres Espirituais
envolvidos no drama kármico do indivíduo reencarnante.
A
finalidade para quem reencarna é a reparação, o aprendizado, a aquisição de novas experiências
que venham enriquecer as faculdades nobres do Ser Espiritual. Visa a
reencarnação acabar com velhas e renhidas
inimizades, reajustar e reparar velhos
enganos, ignominiosos crimes e delitos que às vezes firmaram
no tempo escabrosas histórias de sangue e sofrimento. Necessário
que vítimas e algozes se reencontrem e se ajustem, olvidando-se as ofensas, destruindo-se
as mágoas e o ódio e construindo-se para todo o sempre o bem maior, a
afinidade, o puro e verdadeiro Amor das Almas. (...)
(...) dizíamos que para o reencarne ser
coroado de êxitos, claro que segundo o grau de merecimento e o grau evolutivo
do Ser que vai reencarnar, o
mínimos detalhes são projetados, estudados e supervisionados, sendo
que na maior parte das vezes essa supervisão se estende de “Astral a Astral”,
ou seja, antes do reencarne,
durante a reencarnação e após o desencarne. Nessa projeção da futura
reencarnação, além de uma série de
ajustes nos tecidos sutis do corpo astral, o futuro corpo físico é demoradamente estruturado segundo as
necessidades do Ser Espiritual reencarnante. Anatomia e fisiologia são exaustivamente estudadas em conjunto com
o Espírito reencarnante. Sua constituição física, a
estética, o magnetismo pessoal, tudo é minuciosamente
projetado para que a reencarnação tenha o máximo de proveito e sucesso.
Dizíamos que a beleza do Ser Espiritual, com todo o seu patrimônio magnético, na maior parte das
vezes constitui-lhe pesado fardo, mas às vezes essa beleza é até necessária
dependendo do meio em que o Ser Espiritual for atuar. Servir-lhe-á de provas,
como também, através de seu magnetismo, Direcionará vários outros Seres
Espirituais que de alguma forma estão a ele ligados no encadeamento do
tempo-espaço. Assim, também os grandes missionários reencarnados poderão vir
ou não com uma constituição de rara beleza. Eles, devido aos seus grandes
créditos, é que escolherão; é prerrogativa deles. O Ser Espiritual
reencarnante que se encontra em
evolução, sem grandes créditos, mas
sem grandes débitos perante a Lei,
após ser estudado por “Técnicos Siderais da Forma”, recebe a sugestão desta
ou daquela conformação física, desta ou daquela debilidade, tudo visando, é
claro, equilibrá-lo perante a Lei.
Logicamente o “mapa reencarnatório”, uma
espécie de gráfico com dados básicos para o futuro Corpo Físico, de
posse dos Senhores dos Tribunais Kármicos afins, terá que ser seguido, pois,
como já informamos, desregramentos
e deslizes de ordem mental, astral ou física do Ser Espiritual encarnado
podem, após o desencarne, trazer desequilíbrios de grande monta ao corpo
mental e muito principalmente ao corpo astral, o qual poderá conter as maiores aberrações,
com formas atormentadas e completamente degradadas, ou até animalizadas,
como ainda veremos neste capítulo. A
reencarnação ou várias reencarnações, dependendo do Ser Espiritual, é o único remédio para
reequilibrar os núcleos vibratórios do corpo astral, fazendo
com que sua forma se refaça. Assim, o corpo físico denso servirá de “filtro
kármico”. (...)
Livro “A Proto-Síntese Cósmica” – Espírito
ORISHIVARA – médium Yamunisiddha Arhapiagha F. Rivas Neto
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