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Jesus em Cafarnaum - Internet |
Quem é Jesus?...
Na Bíblia
de Jerusalém da Editora Paulus, na introdução do Novo Testamento, os estudiosos
iniciam uma explicação dos estudos comparativos sobre os quatro livros canônicos que relatam o evangelho, a “Boa
Nova”, anunciada por Jesus. Há um grande estudo sobre de que forma eles foram
escritos, sobre a ordem cronológica e as semelhanças e divergências dos relatos
ali registrados. Eles concluem que os
evangelhos antes de terem sidos escritos foram transmitidos de forma oral.
Deste estudo percebe-se que nem sempre os
discípulos estavam reunidos num mesmo local, e os que participaram de
determinadas situações com Jesus, depois, passaram a transmitir suas
experiências de forma oral para outros que, posteriormente, narraram os fatos conforme suas perspectivas e níveis de
entendimento. Assim, aos poucos foi
sendo registrado os acontecimentos mais marcantes que ficaram registrados nas memórias dos seguidores de Jesus.
As Igrejas Cristãs que se formaram depois
da morte e ressurreição de Jesus adotaram como base de suas doutrinas os 4
evangelhos e os relatos dos discípulos diretos de Jesus e de seus seguidores; e
graças a isso a humanidade atual tem o conhecimento do nascimento deste grande
ser iluminado que viveu como um simples homem naquele recanto da Galileia.
Mas apesar de grandes estudos feitos pelos
religiosos, filósofos e historiadores de todas as épocas há ainda muitas dúvidas a respeito do propósito da vinda de Jesus
entre a humanidade. Isto porque, até os dias de hoje, entre as
tradições religiosas, o estudo ficou concentrado tão somente nos registros
históricos, nas traduções e nas interpretações dos estudiosos da antiguidade.
As religiões cristãs que se formaram depois de Cristo, para serem aceitas, uniram as tradições do judaísmo com os ensinamentos de Jesus. Desta forma, a maioria adotou o Velho testamento e o Novo Testamento.
Na
tradução da Bíblia de Jerusalém: Apocalipse 1 – 9 Eu, João, vosso irmão e
companheiro na tribulação, na realeza e na perseverança em Jesus, encontrava-me
na ilha de Patmos, por causa da Palavra de Deus e do Testemunho de Jesus.
No dia do Senhor fui
movido pelo Espírito, e ouvi atrás de mim uma voz forte, como de
trombeta, ordenando: 11 “Escreve o que vês num livro e envia-o às sete
Igrejas: a Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia.”
Em 1852, na França, Allan
Kardec começou a pesquisar sobre os fenômenos mediúnicos e deu início a uma
nova era de revelações da dimensão espiritual. No livro “O Evangelho Segundo o
Espiritismo”, publicado em 1864, ele fala sobre o Consolador prometido: “
Jesus promete outro Consolador: o Espírito de Verdade, que o mundo ainda não conhece, por não estar
maduro para o compreender, Consolador que o Pai enviará para ensinar todas as coisas e para
relembrar o que o Cristo havia dito. Se, portanto, o Espírito de Verdade
devia vir mais tarde ensinar todas as coisas, é que o Cristo não dissera tudo; se
ele vem relembrar o que o Cristo disse, é que o seu ensino foi esquecido ou mal compreendido.
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As religiões cristãs que se formaram depois de Cristo, para serem aceitas, uniram as tradições do judaísmo com os ensinamentos de Jesus. Desta forma, a maioria adotou o Velho testamento e o Novo Testamento.
É difícil romper a barreira da tradição religiosa formatada em centenas de anos. Com o acréscimo do Novo Testamento, em muitas religiões, formou-se uma nova tradição religiosa que tornou-se em nova barreira para aceitar novas revelações. No passado essas tradições eram mais fortes devido a limitação tecnológica, principalmente nos meios de comunicação.
Se já era difícil Jesus ser compreendido naquela época, para romper a barreira do passado das tradições religiosas, imaginem ele falar mais aprofundado sobre as coisas celestes! No Novo Testamento há um registro importante que deve ser compreendido de
forma mais ampla: É o que ficou registrado por João sobre aos novos esclarecimentos
futuros... vejamos:
João 14
15 Se me amais, guardareis os meus mandamentos.
16 E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador,
a fim de que esteja para sempre
convosco,
17 o Espírito da verdade, que
o mundo não pode receber, porque
não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós.
18 Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros.
19 ainda por um pouco, e o
mundo não me verá mais; vós, porém, me vereis; porque eu vivo, vós também vivereis.
20 Naquele dia, vós conhecereis que eu estou em meu Pai, e vós, em mim,
e eu, em vós.
25 Isto vos tenho dito, estando ainda convosco;
26 mas o Consolador, o
Espírito Santo, a quem o
Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que
vos tenho dito. *
João 16
7 Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não
for, o Consolador não virá para vós
outros; se, porém, eu for, eu
vo-lo enviarei.
8 Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo:
9 do pecado, porque não crêem em mim;
10 da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais;
11 do juízo, porque vou para o Pai, e não me vereis mais;
12 Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o
podeis suportar agora;
13 quando vier, porém, o
Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará
por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará
as coisas que hão de vir. *
Neste
relato de João podemos observar que para
Jesus explicar sobre o Espírito da verdade que não podia ser visto,
Jesus aproveitou para dar o exemplo de si mesmo quando se referiu a um evento
futuro que ocorreria e onde explica que
mesmo após a morte de seu corpo físico ele estaria vivo e seria visto
novamente. Estava ensinando que o Espírito,
a alma, a consciência não morre; o que morre é o corpo físico. Ele
deu testemunho disso com o seu ressurgimento num corpo que, a princípio, não foi
nem mesmo reconhecido por seus discípulos mais próximo; pois se tratava de um
corpo materializado com energias por ele manipuladas a fim de se tornar visível
e tangível.
No relato de João seria enviado, por Deus, o Espírito Santo, o Espírito da verdade, para revelar as verdades
do mundo invisível e que naquele momento, devido ao nível cultural e científico
ainda acanhado, a humanidade não estava preparada para entender. Para os
discípulos talvez, a compreensão daquilo tudo, sobre as revelações do Espírito
Santo, se daria no futuro, ao longo de suas vidas.
Em suas tarefas evangélicas, realmente, conforme podemos ver nos relatos
históricos, eles tiveram momentos de inspiração do Alto quando pregaram a Boa
Nova e promoveram curas; mas o que de
diferente o Espirito Santo lhes revelou além do que foi ensinado por Jesus em
vida?
Realmente, “coisas futuras” e
“diferentes” anunciada pelo Espírito da verdade naquele tempo, talvez, só vamos
encontrar no testemunho de João quando estava
na ilha de Patmos. Vejamos seu testemunho:

Na tradução de João Ferreira
de Almeida:
9 Eu, João, irmão vosso e companheiro
convosco na aflição, no reino, e na perseverança em Jesus, estava na ilha
chamada Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
10 Eu fui arrebatado em espírito no dia
Senhor, e ouvi por
detrás de mim uma grande voz, como de trombeta,
11 que dizia: O que vês,
escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo,
a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia.
Esta comparação é importante, também, para
entendermos como as vezes as traduções distorcem
o que realmente aconteceu. Muitas vezes, as traduções se tornam tendenciosas motivadas
por crenças, dogmas ou interpretação pessoal, principalmente no que se refere a preexistência do Espírito.
Nas traduções acima: “fui movido pelo Espírito”
e “Eu fui arrebatado em
espírito”; na primeira dá-se a ideia de que um Espírito moveu o espírito de João para outro plano, outra
dimensão; não teria lógica mover o corpo de João – mover para onde? Na
segunda, a ideia fica mais clara dizendo que seu espírito
foi desacoplado do corpo físico, ou seja, deslocado para outra dimensão, espiritual,
não física. No entendimento atual do fenômeno mediúnico sabemos
que o corpo espiritual se desdobra, ou seja, desacopla-se do
ajustamento vibratório com o corpo físico e a pessoa percebe as
outras dimensões espirituais. Esta
percepção é com o cérebro espiritual que transmite as percepções para o cérebro
físico. O mesmo se dá na percepção da voz; não é com o ouvido que se
ouve e sim com o corpo mental que capta as vozes. Foi isto que aconteceu com
João.
As mensagens do Apocalipse até hoje são
motivos para várias discussões e interpretações. Parece que elas se encaixam em várias épocas da história da humanidade.
Mas o que elas trouxeram de novo em relação
ao que foi ensinado naquela época por Jesus, e que os discípulos não
estavam preparados para suportarem? E sobre o anuncio de coisas futuras? O que
foi acrescentado ao que já se sabia?
Será que quando Jesus se referia ao futuro
ele estaria se referindo não àquelas gerações de corpos transitórios e sim estava falando àquelas individualidades que, como espíritos, no futuro
renasceriam em outros corpos, com outras personalidades?
Pois
ele mesmo deu testemunho da
sobrevivência do Espírito após a morte de seu corpo físico; e também
disse aos seus discípulos que eles estariam com ele, em espírito.
Portanto, nesses dois mil anos que se
passaram o que foi acrescentado ao que Jesus ensinou?
SURGIMENTO DA CIÊNCIA DO ESPÍRITO PELO ESPÍRITO VERDADE
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Allan Kardec |
O Espiritismo vem no tempo previsto
cumprir a promessa do Cristo: preside ao seu advento o Espírito de Verdade. Ele chama os
homens à observância da Lei; ensina todas as coisas fazendo compreender o que o
Cristo só disse por parábolas. Disse o Cristo: “Ouçam os que têm ouvidos para
ouvir”. O Espiritismo vem abrir os olhos e os ouvidos, porque fala sem figuras
e sem alegorias; levanta o
véu intencionalmente lançado sobre certos mistérios. Vem, finalmente, trazer a suprema consolação aos
deserdados da Terra e a todos os que sofrem, atribuindo causa justa e fim útil
a todas as dores. (Cap. VI – 4)
Allan Kardec usou o termo Espiritismo que
foi o nome dado por ele por ter criado um
conjunto de obras de investigações e pesquisas sobre o mundo espiritual. Era para ser uma Ciência do Espírito com o início das revelações do Espírito de Verdade, mas posteriormente, com o decorrer dos anos, e com o surgir de novas revelações, os
homens, por necessidade de estruturar o novo movimento, criaram a “Doutrina
Espírita”. Assim, tivemos o Espiritismo ou Doutrina Espírita como uma nova
religião, que no Brasil, por necessidade de unificar as atividades de
assistência e ensino, criou-se a Federação Espirita.
Entretanto, se entendermos que o Espírito de verdade, o Consolador, não se trata
de uma nova religião, e sim trata-se
de um programa espiritual, uma ciência do Espírito, onde através do fenômeno mediúnico, manifestado por várias pessoas em épocas
diferentes, que diversos Espíritos trouxeram
revelações novas, principalmente aqui no Brasil, então a
promessa de Jesus de fazer relembrar tudo o que ele ensinou e revelar coisas novas, em relação ao que ele falou na sua
época, nos faz entender melhor sua promessa.
V. Lau
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Bibliografia:
O Evangelho Segundo o Espiritismo - Allan Kardec; tradução Salvador Gentile. Catanduva, SP: Boa Nova Editora, 2004.
* Canal Mórmon
Advento do Espírito de Verdade
5.
Venho, como outrora, aos transviados filhos de Israel, trazer-vos a verdade e
dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como antigamente o fez como a
minha palavra, tem de lembrar aos incrédulos que acima deles
reina a imutável verdade: o Deus bom, o Deus grande, que faz
germinarem as plantas e se levantem as ondas. Revelei a divina doutrina. Como
um ceifeiro, reuni em feixes o bem esparso no seio da humanidade e disse:
“Vinde a mim, todos vós que sofreis!”.
Mas,
ingratos, os homens se afastaram do caminho largo e reto que conduz ao Reino
de meu Pai, perdendo-se nos ásperos
atalhos da impiedade. Meu Pai não quer aniquilar a raça humana; quer
que, ajudando-vos uns aos outros,
mortos e vivos, isto é, mortos segundo a carne, já que a morte não existe,
vos socorrais mutuamente, e que se faça ouvir não mais a voz
dos profetas e dos apóstolos, mas a dos que já não vivem na Terra,
a clamar: Orai e crede! Pois a morte é a ressureição, sendo a vida a prova
escolhida, durante a qual as virtudes que houverdes cultivado crescerão e se
desenvolverão como o cedro.
Homens
fracos, que compreendeis as trevas das vossas inteligências, não afasteis o
archote que a clemência divina vos coloca nas mãos para vos clarear o caminho
e reconduzir-vos, filhos perdidos, ao regaço de vosso Pai.
Sinto-me tomado de muita compaixão pelas vossas misérias, pela vossa
intensa fraqueza para não deixar de estender a mão em socorro aos infelizes
transviados que, vendo o céu, caem nos abismos do erro. Crede, amai, meditai
sobre as coisas que vos são reveladas; não mistureis o joio com a boa
semente, as utopias com as verdades.
Espíritas! Amai-vos, este o primeiro
ensinamento; instruí-vos, este o segundo. Todas as verdades
encontram-se no Cristianismo; os
erros que nele se arraigaram são de origem humana. E eis que do
além-túmulo, que julgáveis o nada, vozes vos clamam: “Irmãos! Nada perece.
Jesus Cristo é o vencedor do mal, sede os vencedores da impiedade” – O
Espírito de Verdade (Paris, 1860)
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